O que é RPG e como se joga isso? Parte 3
- 27 de ago. de 2016
- 4 min de leitura

Já sabendo o que influencia uma mesa, cenário, narrativa e como interagir com as histórias, resta ainda tratar coisinhas sobre os Personagens:
O QUE UM PERSONAGEM PODE FAZER?
A resposta é: Qualquer Coisa!!! É só você pensar como você agiria em uma situação e como alguém, que fosse como seu personagem, poderia agir na mesma condição. Então, dê sua resposta. O máximo que pode acontecer que desvia essa conclusão seriam os elementos de ficha e a sorte. Mas, o mais importante, é a interpretação do jogador.
Os estes apenas dizem se o personagem conseguiu ou não conseguiu reagir conforme a descrição do jogador. Se for uma ação muito simples, se o personagem já souber fazer o que estiver fazendo (como um lenhador lenhando o machado na lenha), o narrador poderá, inclusive, ignorar testes e rolagens de dados. Quando a resposta do jogador exige tempo, treino, especialização e, sobretudo, sorte, o narrador vai exigir o lançamento do dado de teste para averiguar se o personagem consegue ou não realizar o que o jogador disse que ele faria. Exemplos comuns disso são os combates, pois existe a ação de ataque, a defesa, os movimentos, as armas e proteções que influenciam toda a sequência de ataques. É importante para o jogador ter a consciência das capacidades de sua ficha para que este não insista em atividades impossíveis para seu personagem concluir, conforme os números da ficha, como um mago balançar um machado pesado em uma batalha contra cavalaria, ou um hacker hiper treinado em invasão de sistemas de segurança for usado para salvar uma vítima de um tiroteio, forçando-o a extrair a bala.
E, COMO EU MONTO MEU PERSONAGEM?
Vejo que você gostou... é o terceiro texto e você está acompanhando, legal! Enrolação à parte, para se montar um personagem, os passos são basicamente os mesmos para diferentes sistemas:
1 – Saiba o que jogar: peça para entrar na mesa, pergunte ao narrador sobre o sistema, aprenda o máximo sobre a história que será narrada e se prepare, pois, mesmo você entendendo tudo sobre o que foi adiantado do contexto não será nada comparado ao que virá na história. Acompanhe as regras básicas e saiba os pontos de vista que o narrador comentará sobre a história que surgirá.
2 – Saiba quem vai jogar: camaradagem é obrigação, portanto, converse com os outros jogadores, discuta sobre a história e sobre o que cada um vai fazer no jogo. Os membros da mesa vão recebe-lo bem (particularmente, nunca vi acontecer o contrário).
3 – Decida o que seu personagem será: sabendo o ponto de vista do narrador e como os jogadores irão se comportar, comece a pensar o que seu personagem poderá fazer. Logicamente isso dependerá, e muito, do sistema e da história adotados. Fantasias medievais possibilitam guerreiros, ladinos, aventureiros, caçadores, feiticeiros, magos, bárbaros, bruxos, bardos e clérigos como personagens. Aventuras futuristas também exigem coisas específicas, como soldados, cientistas, especialistas em tecnologias, outras profissões e conhecimentos. Sabendo o que o restante do grupo vai fazer, você poderá planejar algum personagem com capacidades que ajudem o grupo nas aventuras. Ficou em dúvida? Use suas experiências pessoais, os filmes que viu, livros que leu, desenhos, revistas, histórias, qualquer coisa que sirva como inspiração.
4 – Escolha o passado do personagem: no RPG chamamos isso de background do personagem, sendo tudo que o personagem viveu e realizou antes que essa campanha comece. O background explica o que o personagem sabe, os valores utilizados na ficha, como ele conseguiu seus contatos, itens e personalidade.
5 – Monde a ficha: use tudo que você idealizou para traduzir as regras do sistema nos números da ficha. Fique atento para não usar a regra para montar o personagem, faça o contrário. Nas primeiras sessões de jogo, os iniciantes tendem a se perder em meio às narrativas e regras (porque você ainda é neném, neném!). Portanto, mantenha os ideais do personagens sobrepondo as características de ficha. Use nos atributos, talentos, características, vantagens e treinamentos os números que correspondem ao que você quer interpretar para seu personagem. Isso lhe trará liberdade no jogo. Jogar em função da ficha prende suas opções e tira liberdade durante as narrativas. Isso serve como um grande desafio para jogadores experientes, mas não é indicado para novatos. Lembre-se: conhecer a ficha ajuda muito.
6 – Atenção às características mais importantes: quanto à interpretação, você deve manter a personalidade do personagem constante. Você controla algo reativo, quase vivo, que tem as próprias vontades e anseios, desejos e históricos. Se preocupe em fazer com que o personagem haja como foi planejado e de maneira equilibrada. Se a ficha é exigida, mantenha-se atento aos Pontos de Vida, ataque e defesa, treinamentos e perícias, talentos e atributos que o personagem mais usa. Por exemplo, um hacker terá muito mais ações que utiliza conhecimentos de eletrônica, informática, programação e sistemas do que ações físicas. Por outro lado, um soldado será ligado aos equipamentos e atividades físicas.
7 – Conclusão: antes de começar, converse, novamente, com o narrador e peça que ele avalie a ficha. Explique sobre o personagem e se falta algo para finalizar. Ouça as opiniões e corrija a ficha. Agora pode jogar!
RPG é um jogo muito bom de se jogar. Ele garante a diversão, socialização e bons papos pelo resto da semana. Se você se interessar e seguir algumas dessas dicas, você terá um grande futuro como jogador.
Agora, encontre uma mesa com pessoas bacanas, conhecidas e vá jogar! Crie seu primeiro personagem e guarde sua ficha. Jogue bem, DIVIRTA-TE e depois comente aqui como foi o jogo.
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