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O que é RPG e como se joga isso? [parte 2]

  • 25 de ago. de 2016
  • 6 min de leitura


Oi,


Continuando a postagem (ou repostagem) sobre O QUE É RPG (O que é RPG? E como se joga isso? Parte 1), vamos começar com indagações mais profundas: Como se joga uma sessão de RPG?


Uma das características mais interessantes desse jogo é o mistério sobre o futuro dos personagens. Nem sempre o Narrador, ou os jogadores, sabem o que poderá acontecer nas aventuras, por mais que o mestre guie o jogo e que cada jogador controle sua ficha, as interações das ações do narrador e dos personagens são muito individuais, ainda mais se os jogadores conseguirem interpretar diferentes motivações e características psicológicas. Juntas, todas essas interações constroem a história, levando os personagens ao desconhecido através das decisões aleatórias de cada um, sob a influência dos dados. Mesmo sendo a graça do RPG, essa insegurança cria uma tensão estranha que pode “assustar” os jogadores inexperientes. Por isso, aconselhamos conversar (muito) entre os jogadores e narrador, inclusive de outros grupos, blogs, fóruns, face, etc.


Outra coisa que muitos perguntam é: Quem ganha o jogo?


A resposta é: Ninguém, ou todo mundo!


O RPG é divertimento, não foi feito para disputas. É a cooperação que reina na maioria dos sistemas, mesmo quando existe rivalidade. Os jogos de RPG não são para competição.


Como se joga?


Independentemente do sistema, as dinâmicas de jogos de RPG são muito parecidas, quase uma receita de bolo (de cenoura, com chocolate meio amargo e café), fácil de fazer e com resultados espetaculares.


RECEITA: Como jogar RPG.


Ingredientes


1 – uma mesa de RPG;

2 – um sistema de RPG, com livros, encartes e folhetos (a gosto);

3 – um grupo de RPG, com narrador e jogadores;

4 – fichas de RPG, de acordo com o sistema escolhido (a gosto);

5 – dados, papeis, lápis e borrachas (consulte as exigências do fabricante do sistema).


Como proceder

a) Em uma mesa de RPG, despeje o sistema de jogo escolhido e misture com o grupo de RPG – talvez precise de agitação até o caldo engrossar.

b) Junte o conhecimento adquirido através da mistura e monte as fichas – calcule os dados do jogo, descreva personagens e histórias.

c) Leve os personagens, com suas fichas, para a mesa de RPG.

d) Faça o narrador desenvolver a história, conforme as exigências do sistema escolhido.

e) Faça os jogadores interagirem com o narrador, conforme as exigências do sistema escolhido.

f) Repita os passos d) e e) para o jogo crescer.

g) Acompanha esta receita uns lanchinhos bacanas e refrigerante.


Para ter sucesso no jogo, normas sociais também se fazem necessárias e essas não virão nos livros de RPG. Essas normas não são absolutas, funcionam mais como uma convenção adotada pela maioria dos jogadores, sempre variadas, adaptadas, aumentadas, alteradas, e outros “adas” escolhidos por cada uma das mesas do Brasil e do Mundo. Como a postagem é minha, vou citar as regras que eu utilizo nas minhas mesas e que são muito constantes nas mesas que eu já conheci.


MANDAMENTO I – Respeitai teu próximo, pois ele está próximo.


Em sessões convencionais, na mesa (mesa mesmo), todos devem estar cientes que um jogo de RPG é, sobretudo, uma reunião de amigos que se encontram na casa de outro amigo. Casa do membro do grupo não é sua casa. Você é um convidado e deverá se portar como tal. Nada de berrar, pular, chutar, brigar, latir, ou fazer outra coisa só porque seu personagem está fazendo no jogo. Evite aparelhos de som, TV, internet, coisas do tipo. Se não estiver interessado em jogar, SAIA. É o melhor que alguém poderá fazer. Não deixe comida espalhada, não faça lambança e, ao final, ajude a recolher o lixo e organizar a casa. Guarde seus livros e dados.


MANDAMENTO II – Não transformarás teu anfitrião em teu patrono.


A geladeira da casa do coleguinha não é self servisse. Todo lanche, jantar, almoço, petiscos, enfim, o que for escolhido como alimentação deve ser dividido. Cada grupo decide como fazer isso.


MANDAMENTO III – Respeitarás o esforço de teu narrador / Respeitarás a boa vontade de teus jogadores.


Este mandamento duplo serve para jogadores e narradores. Um narrador rala (muito)(muito, muito, muito)(muito mesmo) para conduzir a aventura. Ele conhece o sistema, gerencia os personagens não jogadores, os jogadores, os personagens dos jogadores, narra os acontecimentos, observa as interpretações, recebe as ações dos personagens, planeja as reações, os eventos futuros e muito mais. Então, JOGADORES, abusar do jogo e não levar a sério este esforço se torna uma falta de respeito gigantesca. Da mesma forma, você, NARRADOR, ao conduzir uma história, não abuse de seu poder de decisão. O jogador sempre tem que “engolir os sapos” que você prepara para ele. Ele aceita as regras, mesmo contrariando seus interesses no jogo. Se a coisa ficar muito séria, além de desrespeitar o MANDAMENTO III, por tabela, a falta de respeito naufraga o MANDAMENTO I. Outra coisa importante: HONREM SEUS ACORDOS. Se um grupo marcou de jogar uma aventura, não mudem de ideia no meio do caminho. Tem muita gente que não vai gostar disso, ou não irão querer jogar uma nova aventura, ou ficarão desapontados. Não deixe a diversão fugir por entre os dedos.


MANDAMENTO IV – Seja paciente com novatos e não-jogadores.


Quem não conhece o jogo não tem como entender o que está acontecendo. Quem está curioso vai precisar perguntar para perceber o que se passa em uma aventura. O RPG é um jogo muito atraente, mas, ao mesmo tempo, possui uma complexidade única. Responder às dúvidas com calma e esclarecer como funciona a dinâmica de jogo pode servir como incentivo para novos jogadores, novas mesas, novos narradores, mais diversão. Além disso, ser receptivo e simpático, paciente e prestativo, vai afastar aquela velha opinião de que “RPG é do capeta!”.


MANDAMENTO V – A pontualidade é o caminho para a salvação.


É difíiiiiiiiiiiiiiiiiicil! Mas não é impossível. Todo mundo entende que existem atrasos. Pode ser por culpa de trabalho, estudo, distância, trânsito, problemas pessoais, etc, etc, etc. Mas, esperar é muito chato! Outra coisa irritante: horários mal combinados. “Olha! À tarde na casa do Fulano”... depois do meio dia até anoitecer é “à tarde”...

MANDAMENTO VI – Não cobiçarás a história do próximo.

Cada jogador desenvolve a história de seus próprios personagens. Algumas vezes, alguns jogadores indecisos não conseguem fixar uma linha de raciocínio para seu personagem e, por causa disso, atrapalham a mesa, perambulando entre opiniões, atitudes e ações que se guiam pelos personagens dos outros. Isso acontece por insegurança, na maioria das vezes, por indecisão, medo, inexperiência ou outro fator que reflita a falta de experiência do jogador. Conversar com os coleguinhas de mesa e com o narrador resolve esse problema.


MANDAMENTO VII – Não tocarás teu companheiro de jogo.


(Confesso que esse título ficou malicioso) Evite ao máximo o contato físico, principalmente em lives (jogos em que os jogadores literalmente interpretam seus personagens, agindo como eles em tempo real). Contato físico pode ser mal interpretado e isso pode iniciar brigas.


MANDAMENTO VIII – Tu não és teu personagem.


Você é você. Seu personagem é seu personagem. Não misture as coisas! Discussões entre personagens abundam nos jogos, mas não podem ser levadas à sério fora do jogo. Discussões pessoais não podem ser refletidas no jogo. O que acontece com um personagem não é o que acontece com você. Se seu personagem morrer, não brigue com ninguém. Monte outro e volte a jogar.


MANDAMENTO IX – Mantenha-te são.


Uma mesa de RPG é um lugar destinado ao jogo e à diversão. Bebidas, drogas, alucinógenos ou qualquer outra coisa que altere a condição, cognição ou percepção dos jogadores não devem fazer parte do jogo. Quer beber? Vá a um barzinho, chame seus amigos e divirta-se. Não vá a uma sessão bêbado ou sob efeitos de substâncias. Isso não será saudável e não combina com a proposta do jogo.


MANDAMENTO X – Torna-te um agente da paz.


Pode parecer piegas, mas seja pacífico. Evite discussões exaltadas, não leve o jogo para o lado pessoal, lembre-se que tudo isso é um jogo. Se você não concorda com as regras, ou com o desenrolar da história, diga isso de maneira amigável. Crie um ambiente agradável dentro e fora do jogo. Não se volte contra personagens amigos ou jogadores amigos.


MANDAMENTO ZERO – DIVIRTA-SE.


Ainda não entendi! Como (diabos) acontece uma sessão de jogo?


Fácil! Fácil!


O narrador e jogadores já escolheram o sistema, pegaram fichas, seguiram todos os passos anteriores desse textão e se reuniram para jogar. Montaram fichas, personagens e separaram os dados.


Começa o jogo:

1 – O narrador explica qual é a motivação da história, demonstrando cenário, enredo, personagens do cenário e narra uma situação que envolva um, ou todos, os personagens.

2 – Cada jogador deverá dizer o que seu personagem irá fazer em resposta aos acontecimentos narrados.

3 – O narrador averigua se existe necessidade de algum teste, conforme o sistema.

4 – Se houver necessidade, os jogadores realizam testes de ação pelos personagens.

5 – O narrador avalia os resultados dos testes e indica as falhas e sucessos de cada personagem. Interpreta as ações dos personagens conforme as falas dos jogadores e explica a sequência das situações narradas.

6 – Os jogadores devem reagir aos novos fatos, e o ciclo se repetirá.


Ainda existe a Parte III. Fique atento e veja a conclusão deste manual.


Até lá.

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