O que é RPG e como se joga isso? [parte 1]
- 1 de ago. de 2016
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Revivendo uma publicação antiga, da época do Blog Guardião do Templo, ressuscitamos este “manual” de introdução ao RPG.
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Bom, curiosos e conhecedores de RPG, este artigo é uma exposição sobre o que é RolePlayingGame e alguma de suas características mais básicas. Se você é um novato: BEM VINDO!!! Conheça o B-A-BÁ do RPG. Se você for um veterano, deve ter começado a pensar que “... esse é mais um daqueles textos gigantes sobre o jogo e eu estou careca de saber ...” e acertou!!! Mas, será que você sabe tudo mesmo?
Traduzindo de maneira não literal, RPG significa Jogo de Interpretação que resume uma sequência de ações que giram em torno de narrar uma história e guiar personagens nela. Bacana, não é? Mas as coisas podem ficar um pouco complexas [sem medo, vem junto].
Lembra quando você brincava de polícia e bandido, ou algo similar, e trocava-se tiros imaginários? Era uma confusão de “eu acertei”, “não acertou”, “acertei sim”, “não acertou porque eu tenho um escudo invisível”, “mas eu tenho uma bala que atravessa escudo”, “mas meu escudo...”, e por aí seguia. No RPG isso não pode acontecer. A ordem do jogo acabaria indo por água abaixo e a diversão naufragaria junto. Para organizar os jogos, foram desenvolvidos sistemas de regras que guiam as interpretações, padronizam as decisões e deixa que todas as ações conflitantes sejam mediadas de maneira rápida.
Aliado a isso, o jogo usa da imaginação dos jogadores, interação social e estratégia, misturando tudo em uma atividade de lazer, leitura e cooperação. Acaba rolando amizade, exercita responsabilidade e não tem nada a ver com lances de religião, criminalidade ou coisas dumáu, como algumas mídias pregam por ai.
O QUE É PRECISO PARA SE JOGAR?
Primeiramente: interesse. Não vá a uma sessão ou narrativa, ou qualquer outro nome que o grupo chame a reunião, se você não estiver a fim. Um jogador desinteressado atrapalhará o Narrador e os Jogadores. RPG foi feito para divertir [e isso vai ser repetido nesses textões todos]. Além desse interesse, outros componentes vão ser exigidos. Olha a listinha:
UM GRUPO: grupo é o coletivo de RPGista [novo acordo ortográfico], separado em duas partes, sendo elas, o Narrador e os Jogadores. Normalmente, um Narrador e um ou vários jogadores. Por padrão, as mesas têm de 3 a 8 jogadores.
UM SISTEMA DE JOGO: que é o conjunto de regras adotadas para se jogar e que cria os parâmetros para criação de personagens, montagem de fichas, regras de interpretação, limites para ações e realizações, ou seja, uma tradução geral do mundo em números e considerações. Adota uma perspectiva própria que varia em infinitas leituras de realidade, representando desde desenhos animados, fantasias medievais, narrativas dramáticas, realistas, surreais, ficção, terror, entre outras.
UM NARRADOR: que será o jogador [se é que se pode dizer isso] responsável por guiar a história, controlar os elementos de cenário (ambientes, personagens coadjuvantes, antagonistas, fenômenos naturais, não naturais, sobrenaturais), gerenciar regras, mediar decisões e o que mais as regras aplicarem ao jogo. Sua responsabilidade é grande, pois ele é “O Senhor do Jogo”, “O Cara que Manda” [mais ou menos], como a primeira versão de Dungeons and Dragons nominou “The Dungeon Master”.
OS JOGADORES: que são os jogadores [chamados de jogadores mesmo], que jogam o jogo. Parece meio repetitivo, mas é esta a função deles. Eles têm a responsabilidade de interagir com a história através de seus personagens, guiando-os pela narrativa e utilizando as regras do sistema para realizar ações importantes para a história que está sendo criada. Os jogadores tem, como responsabilidade maior, a função de criar os personagens, fazer suas fichas e participar da história.
Basicamente é isso! O resto é complemento. Jogos podem ser guiados de diversas maneiras, desde regras muito simples a até sistemas complexos e muito detalhistas. Particularmente, já guiei jogos usando o sistema de Pedra-Papel-Tesoura para todos os testes. Não haviam fichas, não haviam livros, somente um narrador e dois jogadores que jogavam durante uma caminhada, todos os dias. E, quer saber? Uma das melhores histórias que já narrei.
Para completar essa primeira parte, vou listar outros elementos necessários ao jogo (e termos importantes):
UMA MESA: [não propriamente uma mesa, mas de preferência, uma mesa mesmo!] a mesa é o termo usado para o local onde se joga RPG, às vezes, substitui, também, o termo Grupo. É importante que seja um local tranquilo, seguro, confortável, arejado, de fácil acesso, etc, etc, etc, onde todos tenham facilidade para chegar e que não atrapalhe ninguém que não esteja participando jogo. Da mesma forma, escolha um local que ninguém possa atrapalhar o jogo também. Como dica: evite lugares públicos! Crianças, curiosos ou lugares tumultuados, isso tudo pode atrapalhar. Alguns locais, como shoppings, têm costume de proibir os jogos. Crianças nunca entendem as regras e podem bagunçar tudo, ou engolir um dos dados. Desavisados poderão pensar que se trata de uma discussão, ou que é coisa do diabo, jogo de gamão, perda de tempo... motivos não faltam para se evitar lugares assim.
FICHAS: essas são exigências de quase todos os sistemas e representam a personificação numérica dos personagens, como suas capacidades, habilidades, conhecimentos, perícias, talentos, antecedentes, vantagens, desvantagens, equipamentos, posses, interesses, capacidade de luta, de defesa, e por aí vai. As fichas organizam os personagens.
DADOS: respondem pela arbitragem das regras, colocando o elemento “sorte” nas narrativas e motivo de reverência e ódio dos jogadores. Eles decidem se algo acontece ou não mediante às regras do jogo. Os resultados das rolagens são associadas com os valores das fichas para que os personagens consigam [ou não] realizar suas ações. Cada sistema adota um conjunto específico de dados [por motivos próprios] de acordo com a matemática probabilística que o criador do sistema adotou. Os mais utilizados são: o dado de quatro lados tetraédrico (d4); o de seis lados, cúbico (d6); o de oito lados, octaedro (d8); o de dez lados, decaedro (d10); doze lados, dodecaedro (d12); e, vinte lados, icosaedro (d20). Alguns exemplos: o D&D [Dungeons and Dragons] utiliza o d20 para testes gerais e os demais para danos e efeitos de magia, não excluindo nenhum tipo; o StoryTelling utiliza somente d10; GURPS e 3D&T, somente d6.
OS LIVROS: normalmente, as regras adotadas estão publicadas em livros que trazem toda a mecânica do jogo, exigências e informações.
CONSIDERAÇÕES CONSIDERÁVEIS
Jogar RPG é uma experiência inigualável e de difícil descrição. Sua dinâmica é única e exige um exercício mental, criativo e intelectual, tão revigorante e íntimo, que não existe limites para exemplificar ou dimensionar essa experiência.
A postagem continua! [nos próximos Capítulos] Na sequência: Como o jogo funciona? Como é o processo do jogo? Como se forma o cenário, personagem, e tudo, na cabeça do jogador?
>> essa é uma revisão de uma postagem do antigo blog Guardião do Templo 9/9/9.
See ya!
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